E aí, povo, sentiram saudades? Pois é, estou naquele esquema que todo mundo conhece: faculdade, estágio, provas, ônibus lotado, pouco tempo para leitura/escrita. É um mal que, cedo ou tarde, atinge grande parte da população, e eu não sou exceção. Sei que estou há tempos sem postar alguma coisa aqui no blog, mas vou ver se aumento as postagens, colocando algumas resenhas de filmes, séries e outras coisas que também consumo, mas não comento.
Mas vamos lá que tempo é coisa rara e não pode ser desperdiçado com bobagens.

O primeiro livro que caiu na minha caixa de correio – enviado pela blogueira e twitteira Marina (que pode ser encontrada no blog http://www.minhavidaporumlivro.com.br ou no twitter @Marina_MVL) – foi ‘Lázarus’, da escritora paulista Georgette Silen, e é sobre ele que comento hoje.
A primeira impressão que se tem ao pegar o livro ‘Lázarus’ (editora Novo Século, 374p.) é que você está à frente de mais uma daquelas histórias ‘sangue com açúcar’, mais uma a acompanhar a moda, mais uma a passar pela enxurrada de protagonistas sem sal e vampiros galãs indefectíveis que povoaram a literatura sobrenatural no ano passado. Mas não é bem assim que as coisas seguem, quando você começa a ler o livro. ‘Lázarus’ possui a grande qualidade de se destacar entre os demais por ser um romance que ultrapassa a barreira ‘mocinha-conhece-galã-e-o-ama-incondicionalmente’.

A escrita de Georgette Silen é fluida e perpassa diferentes pontos de vista ao longo de toda a história. Tenho que confessar que o início do livro me decepcionou um pouco no que diz respeito à ação. É tudo muito contemplativo: desde os pensamentos de Laura, passando pelas descrições pormenorizadas e, por vezes, didáticas, de alguns monumentos históricos ingleses, desembocando em páginas e mais páginas de Laura se questionando sobre a vida, o universo e tudo mais. Acho que essa ambientação é importante, mas poderia ser mais curta. Laura é uma personagem que já morou na Inglaterra e sabe muito bem o que é o quê. Explicar para o leitor detalhadamente cada aspecto de um prédio, rua ou estátua pode se tornar cansativo com o tempo.
Mas, passado esse início, a história engata. E bem. O livro é vendido como ‘para agradar mulheres’, mas acho que Georgette soube dosar muito bem quando agradar a quem. Há a parte do romance, mas também há uma ação tresloucada da metade para o final do livro que me fez parar um segundo e pensar se estava lendo realmente um livro ‘de menina’. São armas, espadas, sangue espalhado pelo chão e cenas com uma grande carga sexual que agradam não apenas à mocinhas sedentas por romances e declarações de amor, mas também aos leitores que não estão muito entusiasmados com essa parte. Ponto positivo para a autora.
Quanto aos personagens, não tenho muito do que reclamar: são todos muito bem construídos e guiados pela autora, ganhando vivacidade em alguns momentos. Mesmo sendo muitos, conseguimos distinguir cada um por suas particularidades. Confesso que sou um fracasso para gravar nomes, e tenho por indicativo de uma história com personagens bem construídos, o número de nomes que consigo guardar. Com Lázarus, lembro perfeitamente de quase todos: da chefe Clementine, do misterioso Robert, do ciumento David, da adolescente Cinthia, do mestiço Eric, etc etc etc... cada um possui tanta carga emocional – e Georgette separa um tempo especial para mostrar a história passada de cada um dos vampiros do clã – que acho que seria fácil ter um livro para cada personagem. Eu gostaria de ler e saber mais sobre Morgana e Josh, por exemplo, que possuem histórias incríveis e contadas tão rapidamente.
Mas tenho uma reclamação em particular que me incomodou um pouco ao longo de todo o livro: a revisão. Tenho consciência de que revisão não é uma obrigação exclusiva do autor, mas também da editora, então minha crítica se direciona muito mais à Novo Século do que a Georgette Silen em si: o livro possui pouca ou quase nenhuma revisão. Há uma centena de erros de vírgula – principalmente nos vocativos –, palavras em excesso, falta de paralelismo em algumas passagens e tudo mais. Não é algo que tire mérito da história, mas acredito que uma melhor revisão o transformaria em um livro realmente excepcional. Porque, no que diz respeito à história, ele é belissimamente construído.
Resumindo:
Pontos altos: personagens bem construídos, pontos de vista diversos, ação e emoção bem dosadas, cenas incríveis (como a do conselho de clãs e uma passagem logo ao final do ‘livro um’ que eu não posso comentar muito para não estragar a surpresa), escolha por uma protagonista mais madura.
Pontos baixos: começo arrastado e (má) revisão.
Como viram, o número de qualidades supera – e muito! – os pequenos defeitos. Então, o que você está esperando para ler esse livraço?! Corra lá e aproveita que o livro tá mais barato! Quando você descobrir o que é ‘Lázarus’ e adentrar na vida de personagens tão incríveis, tenho certeza de que ficará esperando pelos próximos volumes dessa história.
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